SAE – Serviços de Aconselhamento de Espinho




“São 13 anos a recuperar vidas” referiu Alberto Barros, da direcção dos Serviços de Aconselhamento de Espinho. No enigmático 13º Aniversário e, sem superstições, a directora dos SAE, Margarida Monteiro, revela que o número treze é sinónimo de sorte. Adiantou ainda que transformar o centro de consultas em comunidade terapêutica é o projecto imediato dos SAE.

 “São 13 anos a recuperar vidas” referiu Alberto Barros, da direcção dos Serviços de Aconselhamento de Espinho. No enigmático 13º Aniversário e, sem superstições, a directora dos SAE, Margarida Monteiro, revela que o número treze é sinónimo de sorte. Adiantou ainda que transformar o centro de consultas em comunidade terapêutica é o projecto imediato dos SAE.

 

Em clima de festa, os SAE receberam utentes, colaboradores e amigos e a satisfação de Alberto Barros era notória. “É realmente para nós, gratificante e reconfortante saber que o nosso trabalho continua a dar frutos. Para nós o importante é revermos aqui muitas pessoas, outras não puderam vir pelos mais diversos motivos, mas continuaremos nesta luta, uma luta sempre difícil, pois é uma luta travada contra a doença da adição e dos comportamentos obsessivos – compulsivos. São 13 anos a recuperar vidas. É nisto em que acreditamos, em todos os que passaram nesta casa”, afirmou, lembrando que o princípio dos SAE é “honestidade, mente aberta e boa vontade”.

E, quando todos se reuniram, procedeu-se ao “count-down”, um momento sempre bastante aguardado por todos, uma vez que procedem à contagem do tempo de limpeza. 285 anos, 10 meses e 28 dias foi o resultado obtido da soma dos anos das pessoas que estiveram presentes nesta comemoração. O “count-down” é um programa “muito espiritual”, que funciona como uma terapia colectiva, onde se reconhecem os tempos de limpeza de cada um, explica Margarida Monteiro, directora dos SAE, ou seja, “isto funciona como um factor de motivação muito grande para as pessoas se agarrarem à vida. E esse reforço que levam daqui vai ser muito importante nas suas vidas, até porque a época natalícia traz imensas recaídas”, observa.

No final da festa para a directora, o balanço era extremamente positivo “foi óptimo rever as pessoas que vêm cá uma vez por ano, reencontramo-nos nesta ocasião, e é sempre bom ver que estão bem. É nesta altura que fazemos o ponto de situação das pessoas que se mantêm em recuperação e das que entretanto recaíram. Temos algumas pessoas que recaíram, que fizeram novo tratamento e agora tem menos tempo de limpeza, mas é importante saber que vieram cá pedir ajuda novamente. É um reconhecimento do nosso trabalho. Esta é uma doença para a vida, que não tem cura e às vezes, se não fizerem as coisas como aprenderam aqui, acabam por recair. Este dia foi muito significativo para nós, há um ano, tinha mudado a gerência e estávamos apreensivos, mas tudo correu bem e este ano estamos com mais força e mais determinação.” Além das pessoas que recebem tratamento nos SAE, também os familiares e amigos, os vieram acompanhar neste aniversário “damos um apoio muito grande às famílias e, é notório ver o reconhecimento que nos dão. Todos se sentem bem aqui, esta festa é prova disso. Depois, quem trabalha nesta área, tem que gostar muito daquilo que faz. Esta equipa está muito envolvida e tem muito amor à camisola, daí o nosso sucesso”, confessa.

Segundo Margarida Monteiro, o projecto imediato dos SAE é transformar o centro de consultas numa comunidade terapêutica, a funcionar exactamente nos mesmos moldes do modelo inglês. “Vamos proceder ao pedido de licenciamento para comunidade terapêutica. Essa vontade já existia há algum tempo, ainda não estavam reunidas as condições para o poder fazer, e vamos agora avançar com o processo. É um processo moroso e burocrático e não sei quanto tempo irá demorar. Termos protocolos com o Estado seria muito positivo para nós.”

Margarida Oliveira, colaboradora dos SAE, testemunhou ao longo de 9 anos, as mais variadas histórias de sucesso e insucesso no mundo das adições. À Dependências, recorda três casos que a marcaram muito.

 

«Entrou aqui um rapaz mesmo no fundo do poço, à fome, completamente disfuncional. Já não acreditava, a própria família já não acreditava. Já tinha estado preso, já andava a apanhar beatas na rua. Foram mais de 30 anos na droga. Acompanhei o tratamento e actualmente está em recuperação há dez anos e, integrou-se bem na sociedade, trabalha, tem o seu carro e, muito importante, tem a sua família unida. Esse é um exemplo daqueles de sucesso, entre outros tantos que felizmente pude assistir. Maioritariamente sempre tivemos homens, mas também há vários casos no feminino, temos várias mulheres em recuperação.»

 

«Lembro-me de uma mulher, alcoólica, num caso bastante adiantado, vinha muito inchada, inclusive levantava-se à noite para ir beber. Neste momento, está em recuperação há três anos, mas confesso que a primeira fase não foi nada fácil.»

 

«Houve uma miúda de 19 anos, que me marcou muito. Nessa altura, tinha uma filha praticamente da mesma idade, e então lembro-me da miúda entrar pele e osso, com muita vergonha do seu corpo, ela nem a ‘revista’ queria deixar fazer, estava completamente desacreditada e numa fase de indecisão enorme. Ela é muito bonita, mas achava-se feia. Ela cortava-se, drogava-se e, no ano passado veio à festa. Como já não a via há muito tempo, fiquei encantada, já era mãe, muito responsável. Ou seja, marcou-me imenso saber notícias dela, depois de conhecer o seu processo de vida tão complicado. Felizmente, que hoje está em recuperação há 8 anos, já é mãe e conquistou a sua auto-estima.»

 

Margarida Oliveira sente que faz parte da vida destas pessoas. E nutre por elas um “carinho muito especial” que é recíproco, porque onde quer que a vejam, vêm sempre ter consigo. “No fundo, estava ali, ouvia-os muito. Quando não conseguiam dormir, estava com eles, ia ao quarto sempre cobrir as meninas ao deitar. Perguntava-lhes se estavam bem e, acabou por criar-se uma ligação muito grande. Há um carinho muito especial. Acho que muitos me viam como mãe, dado o carinho e o conforto que sempre consegui transmitir. Estive sempre muito próxima deste meio por via familiar, mas nunca fui adicta, tinha horror. Sinto que ajudei muita gente, principalmente no sentido de lhes mostrar o lado familiar e, o quanto os familiares sofrem com esta doença, e eles gostavam muito de me ouvir, pois apercebiam-se do sofrimento que os familiares sentem.”

No reencontro, “revê-los é ter a noção de nunca imaginar que andaram naquela vida”, afirma, recordando que “eles também sofreram muito e não é fácil sair, mas é possível. É importante ouvi-los, mas nunca chamá-los de coitadinhos, há que os contrariar. Temos que os fazer ver como são as coisas, mas tentar também compreender o sofrimento deles.” As comemorações dos aniversários são a prova de que “as pessoas estão bem. É claro que há um caso ou outro que se desvia, que desiste, mas felizmente temos uma boa percentagem de pessoas em recuperação”, assegura.

 

 

 


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